O perigo do ativismo religioso (parte 2)


marionete10

“Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis recompensa junto de vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 6:1)

Creio que um dos grandes problemas do ativismo religioso é muitas vezes limita a atuação do Espírito Santo a certas programações humanas e segundo a “nossa vontade” e não a vontade de Deus. Muitas vezes queremos enquadrar Deus em nossas programações , mas não deixamos que ele direcione as nossas ações.

Outra coisa é que o ativismo segue uma linha de auto-promoção que aguça a nossa carne e faz com que sejamos “reconhecidos” por nossas atribuições , cargos e títulos eclesiásticos. No ativismo religioso a ordem é: “Eu preciso fazer para Deus” se não, Deus não irá se agradar. Tal equívoco se deve ao fato de sermos ensinados desde novos na fé que o importante mesmo para o Senhor é seguir as atividades da igreja . Muitos acham que fazer a obra de Deus se resume a atividade religiosa no templo.

Concordo com os filhos de Corá quando dizem que valia mais estar um dia nos átrios do Senhor do que mil em outro lugar.(Sl 84:10)
Davi também pedia para o Senhor que pudesse habitar na casa do Senhor todos os dias de sua vida e aprender do seu templo (Sl 27:4)

O grande problema é que muitos levam ao pé da letra essas palavras, esquecendo que existe uma vida fora do templo. Muitos por viver o ativismo religioso esquecem da sua própria casa e família. Esquecem o que diz Paulo a Timóteo:

“Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel” (1 Timóteo 5:8)

O próprio Jesus mostrou que sua obra não se limitava ao templo, embora tenha feito alguns milagres. Vemos que o próprio Jesus desempenhava um papel mais fora do templo, do que dentro. Talvez porque o ativismo farisaíco poderia de certa forma, impedir que a vontade de Deus fosse revelada.

Igreja não é um templo, mas é EKLESIA, ou seja, CHAMADOS PARA FORA. São pessoas que foram separadas por Deus e que constituem uma ASSEMBLÉIA SANTA. Não somente um ajuntamento de pessoas num propósito, mas um testemunho fora das quatro paredes de um templo.

É claro que não estamos fazendo apologia ao modismo de cultuar fora do templo, mas mostrar o perigo do ativismo religioso exacerbado dentro do templo.

Mas quando Jesus falou a mulher samaratina junto ao poço de Jacó, ele ressalta que a verdadeira adoração não se limitava a um monte ou ao templo de Jerusalém. Disse o Senhor:

Mulher, podes crer-Me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai” (João 4:21).

A adoração ao Senhor não está limitada a um lugar, ao templo ou algum lugar específico.A verdadeira adoração começa no coração do verdadeiro servo. Quando o Espírito Santo tem liberdade de habitar no coração do servo é que a adoração começa. Ela é derramada no templo do Espírito Santo que é o coração do servo quando este se re rende com intereiza de coração ao Senhor (At 7:48; Jo 4:21-24; I cor 6:19).

De nada adianta adorar a Deus num templo, mas estar distante Dele. Deus não habita em templos feitos por mãos de homens(At 17:24). Deus habita em corações que o adorem Ele em espírito e em verdade.(Jo 4:24 Deus habita em corações que se rendem a Ele em quebrantamento e contrição profunda (Sl 51:17;Is 57:15).

Existem pessoas que servem mais a “Casa do Senhor” do que o “Senhor da Casa”. Como o farisaísmo o ativismo religioso é baseado em obras e realizações pessoais, levando as pessoas a buscarem seus próprios interesses e esquecerem daquele que é o “CENTRO”.

O ativismo gera a competição e a facção que são prejudiciais a Igreja. Há igrejas que brigam entre si no que que chamo de “ativismo departamental”. Em alguns lugares , por querer que todos “participem” do culto público criou-se uma adoração segmentada em que cada departamento da igreja. Em vez de ressaltar a Unidade, certas congregações tem sofrido pela facção que este este ativismo proporciona nos departamentos. Esse ativismo acaba gerando crentes “mimados” e “imaturos” que por qualquer coisa se aborrecem , pela repreensão da liderança constituída. Conheci pessoas que ficavam chateadas quando não era lhes dado “oportunidade” ou que não louvariam a Deus se não fosse a canção escolhida. Muitas igrejas pentecostais se utilizam desse sistema ativista e tem sofrido com isso em suas congregações. Muitos sem perceber mal sabem que Aquele que sonda os corações (Sl 139:1) conhece todos os nossos pensamentos e motivações e saberá dar a cada um segundo as suas obras.

Por isso, fica a reflexão:

Será que não temos sido ativistas religiosas e esquecido de adorar ao Senhor de todo nosso coração?

Que possamos rever nossos conceitos de servir a Deus e analizar como temos adorado a Ele.
Pois podemos estar fazendo para Deus, mas não segundo a Sua vontade.

E que possamos acima de tudo ser sincero como o salmista Davi quando disse:

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos.
Vê se há em mim algum caminho mal, mas guia-me pelo caminho eterno (Sl 139:24)

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Sobre Anderson Cássio de Oliveira

Líder do ministério Missão Com Cristo, avivalista apologético, trabalha principalmente com ensino, discipulado e serviço cristão, voltados a levar a Igreja do Senhor a um avivamento genuíno (com base nas Escrituras). Administrador do blog de missões - Chamado para as Nações.
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