O silêncio, o secreto e o sagrado – por Murilo Leal


A nossa realidade cristã é complicada, confusa e sem profundidade. Cada vez mais nos afastamos do silêncio e procuramos onde está o “barulho” para segui-lo. O secreto tem se transformado em uma fórmula pública para o sucesso.  Tudo é revelação, tudo é profético, tudo é “santo”. O sagrado tem sido apenas uma ferramenta para chegar ao poder de Deus, sofrendo manipulação e distorções. Diante disso, precisamos pensar melhor para onde estamos indo.

 O silêncio é revelador.

Ninguém gosta de ter que se encarar com realidade. Talvez seja por isso que temos transformado nossos ambientes religiosos em um local com enxurradas de frases de efeito, uma avalanche de “pensamentos positivos”, onde as bocas precisam dizer somente palavras de conforto, e então, somos obrigados a simular um clima permanente de que “um dia a coisa vai melhorar”. No entanto, quando estamos a sós, ninguém consegue se esconder de si.

 

Quando somos regenerados, a nossa mente passa a ser a morada do Espírito Santo. No silêncio, deveríamos nos encontrar com Deus e por conseqüência consigo mesmo. Esse encontro não deve ser apenas auto-meditativo, é mais que uma dimensão interna, é um refúgio do coração, uma inclinação da cabeça no colo de Deus.  O silêncio é revelador. O salmista reconhece isso ao dizer: “Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria.” Salmos 51:6

O secreto do quarto

O secreto nos coloca de frente com Cristo, nele permanecemos, vivemos, seguimos e somos. No íntimo do coração é perene a sensação de incompletude. Quando estamos a sós consigo, a “coisa aperta” e nos encontramos com a  brutalidade de quem somos. O secreto não é um ambiente, mas um estado mental, onde o silêncio predomina. A verdadeira oração, segundo Jesus Cristo, acontece no íntimo da alma, numa realidade onde ninguém vê e numa esfera que ninguém conhece. “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará.”  Mateus 6:6.

O relacionamento e conhecimento de Deus acontece numa dimensão fora do plano racional e pragmático, mas no recolhimento e solitude com Ele. No secreto, temos a ousadia de nos desnudar diante Dele. Confessar nossos equívocos, nossas dificuldades, e se entregar nas Suas mãos. Jesus não está estipulando uma técnica, mas está ensinando que é importante essa franqueza e vulnerabilidade diante Dele. O secreto não se pode ensinar, comercializar, copiar, formatar, replicar, ganhar ou dar, é uma experiência individual.

O sagrado “tanto faz”.

Em tempos de banalização do sagrado, a importância da reverencia e da devoção tem sido esquecida. O sagrado não é apenas uma forma de viver. Para nossos avós, a reverência era regra básica. Quando o mais velho falava, o mais novo calava-se. Quando era dado uma ordem, simplesmente era obedecida. Com Deus, a reverência começava na mesa do almoço quando tiravam o chapéu para agradecer a Deus pelo alimento. Sei, talvez isso não represente nada pra Deus, mas é sim um forma de respeito temeroso de quem entendeu a ordem e os “devidos dos lugares” de cada ser. Era bastante comum, encontrar nossos avós com joelhos no chão diante de Deus, mas hoje nós temos vergonha até de orar por um amigo que esteja com problemas. Isso é consequência da relativização do sagrado.

A nossa geração não se importa com reverência e devoção. Cada vez mais relativizamos a presença Dele, fazemos orações de si apra si mesmo, estamos preocupados com o mover massivo, queremos fazer eventos de efeito coletivo, ignorando o secreto. O Sagrado, o secreto e o silêncio virou coisa de gente velha e chata,  a geração de hoje são formadas pelos barulhentos, performáticos e “santos”.

Não estou dizendo para que o mundo volte 100 ou 50 anos atrás, mas diante de uma decadência do sagrado, onde nossa devoção é egocêntricas e humanista, é preciso enxergar melhor a si mesmo com os olhos das Escrituras. Entretanto, simplesmente muitos de nós não quer se enclausurar no secreto com si próprio, mas quer estar no meio do barulho. Não quer conhecer o Sagrado, quer apenas se relacionar com o poder de Deus. Não quer ficar o silêncio da alma, mas quer sentir “agitação do mover”.

Minha oração é que possamos desfrutar tempo de qualidade no silêncio, no secreto e no sagrado. Que o Senhor nos ajude a cada dia a resgatar em nós aquilo que perdemos, esquecemos ou não damos importância. Que tenhamos mais a saudade de estar só com o Pai, que possamos ver o sagrado como vida sincera diante de Deus, e que possamos escolher andar com os silencioso que não querem se exibir, mas sim viver sua na verdade de quem se é. Amém.

Murillo Leal é jornalista e escreve também no blog Crerpensandohttp://about.me/lealmurillo 

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Sobre Anderson Cássio de Oliveira

Líder do ministério Missão Com Cristo, avivalista apologético, trabalha principalmente com ensino, discipulado e serviço cristão, voltados a levar a Igreja do Senhor a um avivamento genuíno (com base nas Escrituras). Administrador do blog de missões - Chamado para as Nações.
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